Armador usa navios maiores para ganhar em produtividade no Brasil
Mesmo sem a maioria dos portos
estar com as dragagens aprovadas, o Brasil vem experimentando uma mudança no
perfil dos navios de contêineres que visitam a costa. As embarcações estão cada
vez maiores, enquanto o número de atracações nos portos cai - sem prejuízo dos
volumes transportados -, seguindo a tendência mundial da indústria marítima. A
saída que os armadores encontraram foi aumentar a largura das embarcações em
detrimento do calado.
"Os navios maiores vislumbram aproveitar as economias de escala. É uma
tendência mundial e o Brasil não fica fora disso", afirma Julian Thomas,
diretor-superintendente no Brasil da companhia de navegação Hamburg Süd. Os
porta-contêineres de maior dimensão que atracam em portos do Brasil - na casa
dos 8 mil Teus (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) - ainda são
tímidos perto dos que fazem a rota Ásia-Europa, por exemplo, cuja oferta
nominal chega a 18 mil Teus. Mas representam um avanço frente o passado
recente.
A nova família de porta-contêineres para a Costa Leste da América Latina do
armador Maersk Line tem entre 7.450 Teus e 8.700 Teus de capacidade nominal.
"O dobro dos navios usados nos tráfegos com o Brasil há cinco, seis
anos", diz o presidente da Maersk Line na América Latina, Robbert van Trooijen.
Batizada de Sammax - "Sam", de South America; e "Max", de
"maximum" - a nova classe foi desenhada especialmente para atender as
limitações de profundidade dos portos brasileiros. É composta por 16
embarcações, 13 das quais já em operação. Seis delas serão empregadas no
tráfego Brasil-Ásia e sete no Brasil-Europa. A encomenda, feita em 2008 a um
estaleiro sul-coreano, exigiu investimento de US$ 2,2 bilhões.
A combinação de aumento da capacidade das embarcações e redução das escalas
marítimas no Brasil é resultado também da substituição de várias embarcações
menores por poucas maiores. Esse movimento é fruto de acordos operacionais
entre os próprios armadores e reduz o total de navios à disposição no mercado.
"Isso gera economia de escala ao armador e tem efeito positivo na
eficiência do porto, já que o volume de cargas não diminui", diz van
Trooijen.
Segundo o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp),
estatal que administra o porto de Santos, Renato Barco, é notório o aumento da
consignação média por atracação nos últimos meses em Santos. "Estamos
acompanhando esse número há algum tempo. A carga aumentou, mas reduziu o número
de atracações". No acumulado até agosto, a movimentação física de cargas
em Santos aumentou 4,3%, para 67,1 milhões de toneladas. Mas o número de
escalas caiu 4,4%. Foram 3.731 paradas de navios no acumulado do ano até agosto
contra 3.904 na mesma base de 2011.
"As coisas estão mudando. O armador adquire maior confiança para
frequentar o porto, ele sabe que estamos num processo de homologação da
dragagem e que existem dificuldades para atingir a nova profundidade. Mas na
maioria do canal [de navegação] nós já chegamos bem longe", diz Barco. A
dragagem rebaixará o porto para 15 metros, um metro a mais que a profundidade
de projeto do complexo aquaviário santista.
A predominância de embarcações maiores nos tráfegos com o Brasil impõe a
necessidade de o país ter os chamados portos concentradores, de onde a carga é
transbordada para os portos menores. "É uma tendência, mas o transbordo no
Brasil ainda é incipiente. Nós estamos fazendo bastante transbordo e
desenvolvendo um porto em Itapoá (SC) como hub [concentrador] que atrairá
navios cada maiores. Para isso, o custo e o processo burocrático do transbordo
precisam diminuir", diz Julian Thomas. De acordo com ele, o custo do
transbordo nos portos nacionais é relativamente alto. "O ideal é que
chegasse em torno de US$ 100 [por contêiner] para deslanchar, hoje o ciclo
inteiro [descarregar o contêiner de um navio e carregar em outro] varia. Na
média está acima do dobro disso."
Entre agosto de 2008 e o mesmo mês de 2012, a capacidade nominal média dos
navios empregados nos principais tráfegos do mundo cresceu a dois dígitos, de
acordo com a consultoria Alphaliner.
Fonte: Portos e Logística