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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Industria Naval Brasileira: Crise e falta de fôlego



Em três anos, indústria naval vê minguar número de projetos, estaleiros paralisam atividades e mão de obra contratada cai mais de 60%.


• A indústria naval brasileira ainda não conseguiu se reerguer da crise que já dura, pelo menos, três anos. A falta de novos projetos continua reduzindo drasticamente a atividade dos estaleiros que, desde o final de 2014, perderam mais de 50 mil postos de trabalho. 


A cadeia de fornecedores procura diversificar a atuação, porém esbarra no momento econômico e político ainda bastante conturbado e incerto e na redução do plano de investimentos da Petrobras, principal cliente dos grandes estaleiros. 

Os estaleiros que ainda estão em atividade só têm horizonte até 2019. Alguns deles podem fechar as portas em 2018.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Estaleiro Atlântico Sul espera obter carência de dívida para ganhar fôlego financeiro



Para garantir o funcionamento, dois contratos estão em fase de negociação com a South American Tanker Company Navegação S.A

Com quase dez anos de operação, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) deve finalmente fechar o ano  com resultado operacional positivo. Hoje são necessárias 80 horas/homem (HH)  para produção de uma tonelada de navio. A média nacional é de 200 HH. Mas o resultado ainda não se reflete em receita. Os custos ainda são altos. O principal deles referente a financiamentos: anualmente são R$ 350 milhões destinados a esse fim. A dívida total é de R$ 1,6 bilhão (sendo R$ 1,3 bilhão junto ao BNDES), valor que deve ser pago até 2027. Além disso, a falta de novos contratos gera incertezas. A carteira de encomendas em andamento segue até 2019. A partir daí, o destino do projeto depende de uma série de fatores. Por isso, é fundamental para o estaleiro uma Medida Provisória (MP) que dê carência de dois anos dos seus financiamentos junto ao governo federal.
Para garantir o funcionamento, dois contratos estão em fase de negociação com a South American Tanker Company Navegação S.A. (Satco). Mas antes de assinar, a empresa aguarda a divulgação de demanda da Petrobras, justificando o investimento que chega a R$ 2,2 bilhões. “O primeiro contrato diz respeito à construção de oito petroleiros MR (Medium Range). Seriam quatro para transporte de óleo e quatro para transporte de produto. E aí o que se diz é que para esses últimos não haveria demanda. Não acreditamos que seja assim, afinal, hoje se importa navios, porque isso acontece se podemos produzir? Por isso, aguardamos a divulgação da demanda pela Petrobras, o que deve acontecer em julho”, explicou o presidente do EAS, Harro Burmann.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Operação Lava Jato deixa mais de R$ 90 bi em obras paradas



Alguns projetos foram paralisados por suspeitas de sobrepreço, outros por divergências em relação ao valor das obras e também por falta de financiamento ou recursos próprios para tocar a construção

A Operação Lava Jato deixou um rastro de mais de R$ 90 bilhões em obras paradas de Norte a Sul do Brasil, sem previsão de retomada. A lista inclui grandes empreendimentos que, se estivessem em operação, trariam inúmeros benefícios para a população brasileira, como projetos de mobilidade urbana (metrôs e corredores de ônibus), rodovias, universidades e centros de saúde. Há também instalações industriais de grande relevância para a economia nacional, como os investimentos da Petrobrás.
Alguns projetos foram paralisados por suspeitas de sobrepreço, outros por divergências em relação ao valor das obras e também por falta de financiamento ou recursos próprios para tocar a construção. Todos os empreendimentos têm em comum o fato de estarem sendo construídos por empreiteiras envolvidas no maior escândalo de corrupção do País e que hoje estão com graves problemas financeiros, sem caixa e sem crédito no mercado. O levantamento das obras foi feito pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) e pelo Estado e considerou apenas os grandes projetos. 
“Na Hidrelétrica São Roque, parada há mais de um ano, a retomada criaria mil empregos durante 10 meses. Esse é o contingente de pessoas e o tempo para concluir os 20% de obras restantes. Até a paralisação, o projeto já havia recebido R$ 700 milhões de investimentos. Faltam mais R$ 300 milhões para concluir o empreendimento e iniciar operação.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Turbulência complica substituição na diretoria da ANP


A crise instalada no governo desde a última semana deve dificultar o processo de sucessão de uma vaga na diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O mandato do diretor José Gutman termina no fim deste mês e não há ambiente político para decidir sobre o futuro da diretoria.
Apesar de o presidente Michel Temer ter afirmado na quinta-feira que não renunciará ao cargo, ainda há incerteza no mercado, no meio político e no próprio governo se ele permanecerá no Planalto, após as denúncias contidas na delação da JBS e a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigação dos fatos.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Concessões de infraestrutura podem render R$ 110,4 bilhões




Fonte: http://www.abtc.org.br


O governo do presidente em exercício Michel Temer tem em mãos um levantamento preliminar de uma centena de novas concessões e 40 renovações de contratos da área de transportes que estão maturados para serem deslanchados nos próximos dois anos, caso o afastamento definitivo de Dilma Rousseff seja aprovado pelo Senado.

O panorama feito pelas agências reguladoras aponta investimentos da ordem de R$ 110,4 bilhões em aeroportos, rodovias, portos e ferrovias.

Essas concessões que estão na gaveta vão ser embaladas pelo programa Crescer, que deve ser lançado pela secretaria do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), comandado por Moreira Franco. Vão ser incluídos também projetos da área de energia e de petróleo.

A meta da secretaria é fazer ajustes nos projetos que já estavam sendo estruturados pela equipe da presidente afastada Dilma Rousseff - que chegou a divulgar boa parte deles dentro do Programa de Investimento em Logística (PIL), lançado no meio de 2015 - para torná-los mais atraentes a investidores.

Entre as modificações que devem ser feitas está a flexibilidade nas taxas de retorno, sempre puxadas para baixo pela equipe de Dilma, e a ausência obrigatória das estatais Infraero e Valec nos leilões de aeroportos e ferrovias, por exemplo. Alguns projetos que estavam sendo estruturados para serem leilões comuns devem virar Parceria Público-Privada (PPP).



segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ministro dos Transportes deverá expor prioridades ao Senado



A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado quer informações sobre os projetos prioritários do novo governo para o Ministério dos Transportes. Nesta quarta-feira (18), o colegiado aprovou convite para que o ministro Maurício Quintella Lessa apresente seu programa durante uma audiência pública a ser agendada.
O Ministério dos Transportes foi fundido com a incorporação da Secretaria de Aviação Civil e da Secretaria de Portos, que gozavam de status de ministério durante a gestão de Dilma Rousseff.
A CI também aprovou convite à nova presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Silva Bastos Marques, que deverá apresentar ao Senado seu plano de trabalho frente à instituição.
Fonte: https://portogente.com.br/

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Portos delegados se unem para melhorar modelo de gestão portuária



Por Sabrina Medeiros
Representantes dos 14 portos delegados do Brasil iniciaram um debate para a reavaliação do atual modelo de gestão portuária do país, único no mundo centralizado no poder central. O tema foi pauta de uma coletiva de imprensa realizada na Intermodal South America, feira internacional de logística, transporte de cargas e comércio exterior realizado na quinta-feira (7/04), último dia dafeira, em São Paulo. 

Unidos com o mesmo propósito, os gestores dos portos vêm trabalhando numa conversação comum sobre a atual política portuária no Brasil que impede a agilidade na implantação de projetos e compromete a economia. “Hoje, o investidor que quer se instalar em nossos Portos tem que passar por mais de 20 órgãos anuentes para poder se instalar. Nossa intenção é iniciar esse diálogo com o ministro dos Portos para que a atual lei dos portos seja modificada para proporcionar uma política que gere de valor público, e acompanhe a velocidade do nosso empresariado”, explicou à imprensa o CEO do Complexo Industrial Portuário de Suape, Bernardo D’Almeida. 

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Fonte: http://www.suape.pe.gov.br


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Governo aceita flexibilizar Medida Provisória e atende Suape

Humberto reuniu a bancada pernambucana para discutir termos de emenda. 
Foto: André Corrêa
Depois de muitas idas e vindas, o governo federal decidiu atender em parte a reivindicação do governo de Pernambuco a respeito da autonomia do Complexo Portuário Industrial de Suape. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) incluiu em seu relatório da Medida Provisória 595, a MP dos Portos, uma emenda no texto original garantindo a flexibilização pleiteada pelo governador Eduardo Campos (PSB). Das 650 emendas apresentadas pelo Congresso Nacional 168 foram acatadas. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

279 milhões para Suape


Este será o segundo terminal do tipo instalado no complexo. O estudo de viabilidade técnica e econômica foi apresentado pela segunda vez à Antaq em setembro do ano passado

O Complexo Industrial Portuário de Suape, considerado a menina dos olhos do governo Eduardo Campos, foi um dos mais beneficiados pelo pacote de bondades anunciado ontem pela presidente Dilma Rousseff. Serão R$ 279 milhões destinados a diversos projetos que já foram encaminhados a Secretaria Especial de Portos (SEP). Do total, a maior fatia, R$ 140 milhões, será destinada a construção do novo Terminal de Conteineres do Complexo, além da dragagem dos cais 6 e 7.
Este será o segundo terminal do tipo instalado no complexo. O estudo de viabilidade técnica e econômica foi apresentado, pela segunda vez, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em setembro do ano passado. O empreendimento já poderia ter sido licitado, mas, ainda aguarda aprovação.
O Governo Federal também anunciou a aplicação de R$ 62 milhões na dragagem do canal externo do Porto de Suape. Outro pleito estadual antigo, a construção de um terminal na ilha de Cocaia também pode sair do papel.
Pelo anúncio de ontem, R$ 77 milhões serão aplicados na construção de um terminal multifuncional na ilha. O montante inclui a construção do terminal e o do cais para fazer a movimentação das cargas. Há pelo menos cinco anos o projeto é discutido. O projeto total está orçado entre R$ 370 milhões e R$ 380 milhões, ou seja, esta é apenas uma parte dos recursos, que serão 100% do Governo Federal.
“A princípio, nosso projeto era construir um terminal de minérios nessa região, porém, estudos mostraram que um terminal multifuncional é mais estratégico e atenderá melhor a demanda do complexo como um todo. Outra dúvida era qual a melhor saída: um píer ou cais? Decidimos pelo cais. O projeto foi alterado e já está sendo analisado pela SEP”, afirmou o secretario de desenvolvimento econômico do estado e presidente do complexo, Marcio Stefani Monteiro.

sábado, 16 de março de 2013

MP dos portos ja impacta Pernambuco

Primeiro revés no Porto do Recife


Contrato de arrendamento com Petrobras é extinto, devido à medida provisória

TATIANA NOTARO



As primeiras resoluções da Medida Provisória 595, a controversa MP dos Portos, extinguiram o contrato de arrendamento do Porto do Recife com a Petrobras Distribuidora, assinado em 1988, para uso de uma área de 3,5 mil metros quadrados para armazenamento de óleo combustível industrial e óleo combustível para termelétrica. A determinação veio em uma resolução da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), publicada ontem do Diário Oficial da União (DOU), que também extinguiu contratos de arrendamento entre a Bunge Alimentos e a administração dos portos de Paranaguá e Antonina (PR).
“Essa resolução acabou oficializando uma situação que não estava definida, já que os contratos estavam vencidos e a renovação vinha se arrastando”, disse a presidente do ancoradouro recifense, Marta Kümmer. A resolução também autoriza a assinatura de novos contratos com validade de 180 dias para continuidade da prestação do serviço, para então as áreas serem novamente licitadas pela Secretaria Especial dos Portos (SEP), em Brasília.
Marta Kümmer disse também que essa decisão é “a MP dos Portos na prática”. “A Secretaria dos Portos faz a licitação e assina os contratos de arrendamento”, explicou, sobre a transferência do poder de decisão das administrações portuárias para a SEP no que diz respeito aos contratos entre os interessados e os portos. Segundo informou o Porto do Recife, o contrato de arrendamento com a Petrobras Distribuidora e sua possível extinção estavam na pauta das reuniões entre os representantes do terminal e da Antaq.
A perda de autonomia deve atingir 30 terminais no País. Os gestores temem que a centralização das negociações e de informações na SEP resulte em erros que prejudiquem e burocratizem o fechamento de contratos. Aliás, as queixas não são novidade. A Antaq, cuja lista de atribuições inclui a emissão de autorizações, não tem estrutura para dar ao setor a celeridade desejada. “Não sei nem se posso receber empresários interessados para analisar o negócio”, comentou uma fonte do setor.
Há problemas inclusive nas informações publicadas no site da SEP. O próprio Porto do Recife tem mais áreas disponíveis para licitação do que o divulgado pela Secretaria. Entre esses dados, por exemplo, consta como disponível a área do armazém 11 onde, atualmente, funciona o Centro de Artesanato, inaugurado em outubro passado, parte do projeto Porto Novo, de requalificação do cais. A informação é defasada, de 2008, e o Porto do Recife já informou o equívoco à Brasília.
FOLHA PE

terça-feira, 5 de março de 2013

DEM quer a extinção do Ogmo



O PT diz que é bom do jeito que está. O PMDB diz que vai acolher ajustes sem que alterem a essência. O PSDB afirma que novos gargalos logísticos serão criados. E o DEM quer a extinção de um “anacronismo” do atual marco regulatório dos portos, o Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo).


Para o líder dos Democratas, José Agripino (do Rio Grande do Norte), deve-se suprimir, da Medida Provisória (MP) 595/2012, o Ogmo. “Uma entidade anacrônica, cuja existência não se traduz em benefícios concretos para o país, nem mesmo para os trabalhadores portuários”, garante.
Para desespero das lideranças sindicais dos portuários, Agripino afirma que a experiência com os terminais de uso privativo (TUPs) demonstra que não se concretizaram os "cenários catastróficos" de opressão dos trabalhadores portuários. E que os contratados nessa modalidade têm maior proteção, capacitação e salários que os contratados via Ogmo.
Já o PT, por meio do líder do partido no Senado, Wellington Dias (de Piauí), só enxerga cenário positivo em torno da MP 595, citando, por exemplo, o diálogo que o governo federal abriu com os trabalhadores portuários. Só esquece o parlamentar de que esse canal só foi aberto depois de uma greve dos portuários no dia 22 de fevereiro último.
Dias acredita que após a definição do novo marco regulatório portuário, o governo cumprirá o compromisso de ampliar investimentos nos portos públicos. E contabiliza que o valor poderá chegar a R$ 6,4 bilhões que seriam utilizados para melhorar a infraestrutura e facilitar o acesso aos portos, com a construção de ferrovias e rodovias.
Pessimismo

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), levanta outra questão: o problema dos contratos celebrados antes da edição da Lei 8.630/1993, e ainda não adaptados a esta norma, que agora foi integralmente revogada pela MP. A renovação, defende o senador tucano, desses contratos evitará que o país não sofra grandes prejuízos em seu comércio exterior. O contrário fará com que o "gargalo" logístico no País se acentue ainda mais, provocando grandes dificuldades para o escoamento das colheitas e outros produtos essenciais à nossa pauta de exportações, como minérios e petróleo.
Audiências

A comissão mista que analisa a MP 595/2012 realiza nesta terça (5/03) e quarta (6) audiências com representantes sindicais dos portuários. E nos dias 12 e 13 próximos, serão os representantes das empresas portuárias, dos usuários dos portos e de especialistas apresentarem suas posições. A agenda das audiências fecha com o governo federal, no dia 20.
* Com informações da Agência Senado
http://www.portogente.com.br

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Lucratividade do Porto de Suape é contestada em relatório da Secretaria Especial de Portos




Enquanto o governo do estado busca uma alternativa para que a Medida Provisória 595/12, conhecida como MP dos Portos, não tire a autonomia do Porto de Suape, o governo federal dá sinais de que a gestão pode não ser tão lucrativa quanto parece.

Uma auditoria realizada pela Presidência da República, relatada em documento da Secretaria Especial de Portos, aponta um potencial prejuízo de R$ 42 milhões em obras bancadas pelo governo federal no porto pernambucano. A denúncia foi publicada nesta quarta-feira (27) pelo site daFolha de São Paulo.

Por meio de nota, o Porto de Suape rebateu as críticas e afirmou que a obra citada é a dragagem de acesso ao Estaleiro Atlântico Sul, concluída em maio de 2011, com investimento de R$ 111.002.057,74. “Na primeira análise pela Secretaria de Controle Interno (CISET), foram apontadas algumas divergências na prestação de contas apresentada”.

A empresa, então, encaminhou esclarecimentos e documentos visando atender aos questionamentos da CISET e da Secretaria Especial dos Portos (SEP). Ao final da apreciação, a CISET recomendou que a SEP reabrisse o processo de análise da prestação de contas e este processo está atualmente em andamento”, diz o texto.

Por fim, o ancoradouro pernambucano afirma que os esclarecimentos e documentos encaminhados à CISET “foram conclusivos, não deixando nenhuma dúvida quando à inexistência de irregularidades na referida obra”.

O documento pode prejudicar os planos do governador do estado, Eduardo Campos, que vem fazendo duras críticas à MP 595 e defendendo que o Porto de Suape precisa de um tratamento diferenciado, já que está crescendo em um ritmo diferente e atraindo empresas para o estado.

“Se fosse um porto com as distorções de outros portos, eu não teria condições de fazer a defesa dele. Mas é fundamental que haja coordenação nacional. Tem que fazer uma política de logística com uma visão geral, se não cada um faz o que quer no seu porto. Tem que ter planejamento em nível nacional e diálogo”, ressaltou o chefe do Executivo durante um evento realizado no último dia 21.

De acordo com o jornal, a Secretaria Especial de Portos diz estar adotando todas as providências aplicáveis e expressamente recomendadas pela Secretaria de Controle Interno para concluir as obras.

Nesta quarta-feira (27), a presidente Dilma Rousseff voltou a defender a abertura dos portos para investimentos privados. “O Brasil tem que abrir os portos”. Nós temos um imenso e desnecessário custo. Abrir não significa tirar um milímetro de direito do trabalhador portuário.

Pelo contrário, nós mantivemos intacta a forma pela qual esses direitos foram garantidos. Mas implica, necessariamente, em abrir à concorrência, porque um dos nossos custos, chamado Custo Brasil, lá fora, é portos”, argumentou a presidente, ao participar de reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto.



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Cabotagem tentará derrubar emenda




Os empresários ligados à navegação de cabotagem, na costa do país, estão se articulando para derrubar proposta de emenda à Medida Provisória 595, que estabelece novas regras para exploração dos portos.

As empresas de cabotagem foram surpreendidas por emenda apresentada pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) que propõe o fim da reserva de mercado para os navios de bandeira nacional na navegação de cabotagem.

A proposta de Serraglio, uma das 645 emendas recebidas pela MP, foi considerada como um "contrabando" por fontes do setor uma vez que a MP tem como foco discutir um novo marco regulatório para investimento nos portos.

Na proposta, Serraglio sugere introduzir uma seção sobre cabotagem no capítulo sobre "exploração dos portos e instalações portuárias". O deputado propõe criar uma seção sobre cabotagem que incluiria três artigos.

Fica autorizada a operação de navios com bandeira não brasileira no transporte de cabotagem nacional, a distâncias superiores a 300 km, diz um dos artigos da emenda. Serraglio também propõe o incentivo à cabotagem por parte das autoridades portuárias, as empresas que administram os portos, e defende que as operações de cabotagem fiquem isentas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).

Procurado, Serraglio não retornou os pedidos de entrevista. A assessoria do deputado disse que ele estava inacessível, em reunião da executiva do partido, em Curitiba (PR).

O Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) está pronto para acionar a bancada fluminense caso considere que a emenda de Serraglio tenha chances de ir adiante. O Syndarma foi pego de surpresa.

O presidente da entidade, Bruno Lima Rocha, disse que na maioria dos países vigora mecanismo de preferência à bandeira nacional na cabotagem. Citou levantamento feito pelo governo americano que mostra que, em universo de 56 países, 40 restringem a cabotagem a navios nacionais.

Rocha citou o caso dos Estados Unidos que, via "Jones Act", reserva o transporte marítimo de cargas e passageiros para navios construídos no país, de propriedade de americanos e tripulados por americanos.

O Syndarma não sabe de onde surgiu a pressão pelo fim da proteção à cabotagem, segmento em que operam 13 empresas no transporte de contêineres, de granéis líquidos e sólidos, além de cargas de projeto.

Na justificativa que sustenta a proposta, Serraglio afirmou que a infraestrutura nacional enfrenta grandes gargalos com atraso no transporte e encarecimento de fretes. Argumentou que 62,6% da safra agrícola é transportada por rodovia, cerca de 20% por ferrovia e apenas 13% pelo modal aquaviário.

Há na navegação quem suspeite que a pressão pelo fim da reserva de mercado possa vir do agronegócio. Cleber Lucas, presidente da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC), disse que a cabotagem de contêineres cresce 10% ao ano e, mesmo assim, opera com ociosidade.

Por lei, as empresas nacionais podem ampliar a capacidade da frota em 50% alugando navios estrangeiros a casco nu (sem tripulação).

Fonte: Valor Econômico/Francisco Goes 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

MP será primeiro embate entre Eduardo e Dilma


                                             (Foto: Humberto Pradera/Divulgação)
A proposta de tirar dos portos públicos do País a possibilidade de comandar seus próprios processos licitatórios, como está disposto na Medida Provisória dos Portos (MP nº 595), colocará o governador Eduardo Campos (PSB) e a presidente Dilma Rousseff (PT) em lados opostos nessa discussão. O socialista até defende uma normatização e um controle nacional das ações portuárias brasileiras, ambas sob a batuta da Antaq, porém, não considera legítima a retirada de uma prerrogativa considerada essencial para a concretização e atração de investimentos importantes para essas estruturas e, por tabela, para os governos estaduais que as mantêm.
Ontem, durante o seminário Juntos por Pernambuco, Eduardo destacou que utilizará os fóruns necessários para esticar esse debate para, talvez, forçar o governo Federal a rediscutir a questão, não descartando, inclusive, a judicialização do processo. “Se o Governo diz que não pode fazer o debate, eu iria debater no Congresso (Nacional); se o Congresso dissesse que não pode fazer o debate, eu iria debater aonde? No Judiciário. Mas vou debater e defender os interesses de Pernambuco”, ressaltou.
Campos lembrou que já há uma ação movida pelo governo do Estado no STF, ainda na gestão Jarbas Vasconcelos (PMDB), contra uma primeira modificação realizada na Lei dos Portos, datada de 1992, que retirou prerrogativas importantes das estações portuárias do País.
O grande problema observado por Eduardo nesse caso é a possibilidade de se estabelecer uma burocratização desnecessária na questão portuária do País. Conforme o gestor, a Antaq já leva quase um ano para a apreciação e liberação de projetos existentes para os portos. Com a prerrogativa de comandar as licitações, essa demora poderá acarretar numa demora considerável para a implementação de ações que hoje são tomadas uma celeridade razoável.
O que mais parece incomodar o governador é o fato de o governo Federal não ter aberto a discussão com os estados mantenedores dos portos, numa relação aparentemente impositiva. Essa falta de diálogo chegou a ser ventilada como um recado da presidente Dilma Rousseff às pretensões presidenciais de Eduardo, já que o Porto de Suape é a menina dos olhos do socialista.
Publicado por Gilberto Prazeres, em 22.02.2013 às 10:01

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Logística: Mais investimentos, resultados futuros



Os pacotes de investimentos em logística anunciados pelo governo federal em 2012, totalizando mais de 200 bilhões de reais em recursos públicos e privados nos próximos 25 anos, só devem ter efeitos práticos no crescimento da economia a partir de 2014.

Dificilmente o governo poderá contar com esses investimentos em logística para alcançar a tão desejada taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4 por cento no próximo ano, que será o período de estudos, publicação de editais, realizações de leilões e assinatura dos contratos. Obras, somente em 2014. E olhe lá!

“O grosso dos investimentos vai ser feito de 2014 para a frente. Antes, pode haver alguma movimentação, porque em alguns casos você encomenda antes equipamentos que tenham prazo de entrega mais amplos”, disse o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e das Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy.

A presidente Dilma Rousseff lançou na segunda metade de 2012 ambiciosos planos para ferrovias (91 bilhões de reais), rodovias (42 bilhões de reais), portos (57 bilhões de reais) e aeroportos (19 bilhões de reais), com o objetivo de ampliar e melhorar a infraestrutura país, considerada um dos principais gargalos para o crescimento sustentado da economia.

“O PIB é consequência. Nós precisamos fazer essas obras para ter competitividade e dar condições para o crescimento sustentável”, disse o presidente da estatal Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, executivo escolhido por Dilma para tocar esses projetos pelo lado do governo.

Com informações da Reuters Brasil

http://www.logisticadescomplicada.com/

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Antaq lançará Plano Nacional de Integração Hidroviária no próximo dia 19



A Antaq lançará, no próximo dia 19 de fevereiro, o Plano Nacional de Integração Hidroviária. O estudo, elaborado por meio de termo de cooperação técnica com a Universidade Federal de Santa Catarina, permitirá a realização de análises sobre regulação e planejamento em transporte e logística, através de uma ferramenta chamada GIS.

Esse aplicativo possibilita simular, por exemplo, a melhor rota para escoamento de uma carga, a partir de uma determinada região produtora, e comparar a eficiência dos modais aquaviário, rodoviário e ferroviário nessa rota.

O PNIH contemplará ainda o Plano Geral de Outorgas do Subsetor Hidroviário, onde serão apresentadas as diversas áreas com potencial para implantação de novas hidrovias, portos e terminais no interior do país.

Identificando os produtos mais relevantes em cada região, trazendo ainda dados importantes para a elaboração das políticas públicas do setor, como a quantificação dos fluxos atuais e a projeção dos fluxos futuros de comercialização e transporte.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Justiça do Trabalho anula o TAC firmado entre Ogmo e Ministério Público



Em mais um capítulo de uma acirrada disputa trabalhista que já entra em seu sétimo ano, a Justiça do Trabalho de Santos deu ganho de causa aos sindicatos portuários tornando nula a obrigatoriedade no descanso de 11 horas entre duas jornadas de serviços, na escalação diária dos quase 7 mil trabalhadores avulsos, registrados e cadastrados, administrados pelo Orgão Gestor de Mão de  Obra de Santos (Ogmo). Proferida pela juíza titular da 6 Vara, Adalgisa Lins Dornellas Glerian, em 19 de dezembro, a sentença foi publicada na última quinta-feira.
A imposição do intervalo está prevista no Termo de Ajustamento e de Conduta firmado entre o Ministério Público do Trabalho e o Ogmo em 2006, que tem como principal objetivo dificultar a dobra nos períodos de trabalho, salvo nos casos considerados excepcionais. Implantada somente em maio de 2012, a medida acabou gerando muita polêmica e descontentamento entre os trabalhadores que ameçaram paralisar as atividades no cais santista.
Na ocasião, a controvérsia a respeito dos inúmeros atrasos e paralisações parciais das operações estabeleceu uma verdadeira queda de braço, tendo de um lado o MPT e o Ogmo acusando os trabalhadores de uma suposta greve, e do outro os sindicatos laborais afirmando que os serviços ficaram prejudicados em razão dos erros na escalação que passou a ser informatizada, exigência também prevista no TAC.
Com o acúmulo de prejuízos, inclusive com o desvio de navios para outros portos, o embate monopolizou as atenções dos vários agentes do seguimento, motivando a interferência do TRT 2 Região que, após constatar inúmeras falhas no sistema do Ogmo, estabeleceu prazo para os ajustes necessários. O Tribunal também determinou a abertura de negociações entre sindicatos e MPT visando o regramento das excepcionalidades, cujas reuniões ainda acontecem regularmente.
Para o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, a Justiça do Trabalho interpretou a legislação de forma justa e correta. “Não há qualquer dúvida quanto ao texto da lei que versa sobre a obrigatoriedade do descanso entre as jornadas, assim como não deve haver, no mesmo texto, quanto as regras de excepcionalidades que forem pactuadas entre o capital e o trabalho”. Jozimar Bezerra de Menezes, presidente do Sindicato do Bloco tem a mesma opinião.”O Ministério Público está usando dois pesos e apenas uma medida, ou seja, o intervalo é obrigatório enquanto as situações excepcionais simplesmente são ignoradas”.
Guilherme do Amaral Távora, presidente do Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras (Sindogeesp), acredita que o embate jurídico poderia ter sido evitado. “A legislação remete à negociação coletiva o entendimento do que deve ou não ser considerado excepcional, e isso os sindicatos e os empresários pactuaram em vários instrumentos de trabalho”. Outro que comemora é Adilson de Souza, presidente do Sindicato dos Consertadores. “A Justiça do Trabalho de Santos está de parabéns, sobretudo por ter mantido as garantias e as conquistas dos trabalhadores que foram devida e legalmente celebradas através dos vários acordos, contratos e convenções coletivas de trabalho”.
Rodnei Oliveira da Silva, que preside o Sindicato dos Estivadores de Santos, diz que, “trata-se de uma vitória incontestável pela qual estão de parabéns todos os advogados que representam as entidades laborais, além dos companheiros que acreditaram no nosso trabalho”. Marco Antônio Sanches, presidente do Sindicato dos Conferentes, também comemora. “Creio que o judiciário tenha levado em consideração os conceitos básicos de um processo negocial, onde as partes se ajustam de comum acordo”. A nulidade do TAC refere-se apenas a cláusula do intervalo de 11 horas, não modificando as demais.
De acordo com o advogado e patrono da ação, Eraldo Franzese, um dos fatores mais importantes da decisão foi a legitimação do capital e do laboral em estabelecer as normas coletivas como um todo. “Sob o ponto de vista jurídico, foi um grande avanço, sobremaneira se considerarmos que no entendimento da juíza o Ministério Público não tem competência para regular a matéria, intervir ou ditar as regras, inclusive as de exceção”. Válida para todos os sindicatos portuários, a sentença terá eficácia 48 horas após o trânsito em julgado. Cabe recurso.
Fonte: Diário do Litoral (Santos)

Guerra dos portos: paz ou nova batalha?



Uma das várias facetas com que a guerra fiscal se apresenta é aquela que ficou conhecida como “guerra dos portos”, em que Estados concedem benefícios fiscais a quem realize importações pelo seu território, atraindo para si a arrecadação do ICMS incidente na importação. Sem tais benefícios, o referido imposto seria recolhido a outro Estado.
Claro que não há aprovação pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, o Confaz, para a concessão desses benefícios, conforme exige a Constituição Federal.
A primeira batalha travada nessa guerra teve por objeto as importações chamadas de triangulares – aquelas em que, por meio da interposição de empresas consignatárias, busca-se atribuir competência tributária ao Estado que concede o benefício fiscal, em detrimento daquele em que se dá o desembaraço e para o qual a mercadoria é efetivamente destinada.
A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) firmou posição no sentido de que o destinatário jurídico da mercadoria importada – cuja localização, no entendimento do tribunal, define a competência para a cobrança do ICMS – será aquele a quem, nos termos do negócio jurídico subjacente à importação, é efetivamente destinada a mercadoria. Pouco importando onde é localizada a empresa que figura como mera representante dos interesses da importadora, simples consignatária dos bens importados.
Extintas as operações triangulares, restava, ainda, a batalha relativa às importações regulares, em que a empresa importadora, atraída por benefícios fiscais, efetivamente se estabelece no Estado que os concede.
E o primeiro tiro se deu com a edição da Resolução nº 13/12, pela qual o Senado Federal determinou que, a partir de 1º de janeiro deste ano, a alíquota do ICMS nas operações interestaduais com bens e mercadorias importados do exterior passará a ser de 4%. Atualmente, as alíquotas que oneram as operações interestaduais são de 7% ou 12%, conforme os Estados envolvidos.
Essa nova alíquota se aplicará aos bens e mercadorias que, importados do exterior, não tenham sido submetidos a processo de industrialização após o desembaraço aduaneiro, ou, caso o tenham, apresentem “conteúdo de importação” superior a 40%.
Talvez a solução seja promover uma reforma um pouco mais abrangente Leia mais
Fonte: http://www.informativodosportos.com.br

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Tecon Salvador introduz sistema de janelas de atracação



Neste mês, entrou em vigor no Tecon Salvador - terminal de contêineres da capital baiana operado pelo grupo Wilson Sons - o sistema de janela de atracação para os serviços semanais regulares. Dessa forma, as operações portuárias serão realizadas com dia e hora pré-estabelecidos entre o terminal e as companhias marítimas.

A mudança tornará as atracações dos navios mais eficientes e coloca o Tecon Salvador nas mesmas condições operacionais de outros terminais nacionais e internacionais. A oferta de linhas marítimas para o Caribe e Costa Leste dos EUA será ampliada já como resultado das condições de atracação mais atrativas.

A novidade se complementa com o agendamento de gate online implantado em maio deste ano. O serviço permite agendar o horário de entrada e saída de caminhões do terminal, agilizando as operações de coleta e entrega de contêineres no porto.

Essas implementações precedem a conclusão neste segundo semestre das obras de expansão do Tecon Salvador. Foram investidos R$ 160 milhões na aquisição de novos equipamentos e a ampliação do espaço físico do terminal, que terá capacidade para receber os maiores navios porta-contêineres do mundo.

Fonte: Portos e Navios

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A multimodalidade no transporte de cargas no Brasil



Entenda melhor
O Transporte Intermodal de Cargas, ou Transporte Segmentado, é aquele que, regido por dois ou mais contratos, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino. Já o Transporte Multimodal de Cargas é aquele que, regido por um único contrato, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino, e é executado sob a responsabilidade única de um Operador de Transporte Multimodal – OTM.

O conceito de Transporte Multimodal foi o definido pela Lei 9.611/98, já o termo Transporte Intermodal não possui mais base jurídica, pois, a legislação que o definiu, a Lei 6.288/75 (Lei do Container), que dispunha sobre a utilização, movimentação e transporte, inclusive intermodal, de mercadorias em unidades de carga, foi expressamente revogada pela Lei 9.611/98. Embora a Lei 6.288/75 tenha sido revogada, na pratica, o Transporte Intermodal é a forma mais utilizada de transporte no Brasil e ainda não foi substituído pelo de Transporte Multimodal.

Vejamos:
Intermodalidade: Transporte de mercadorias em duas ou mais modalidades em uma mesma operação de transporte, onde cada transportador emite seu próprio conhecimento de transporte, responsabilizando-se individualmente pelo percurso que lhe compete;
Multimodalidade: Vincula o percurso da carga a um único conhecimento de transporte (Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas – “CTMC”) independentemente das diferentes combinações de meios de transporte, emitido pelo Operador de Transporte Multimodal (“OTM”), o qual será o único responsável pela integralidade do serviço prestado.

No Brasil é praticado o intermodalismo, ainda que uma logística porta a porta, ou porto a porta seja realizada por uma empresa agenciadora de cargas (freight forwarder).  Aliás, a respeito dos agenciadores de cargas, vale um comentário: De fato, o que se nota, é que A Lei 9.611/98 tentou regulamentar a atividade do freight forwarder/NVOCC no país, atividade que, até então, era reconhecida somente pela Resolução da antiga SUNAMAM (Superintendência Nacional da Marinha Mercante) n° 9.068 – DOU de 04/03/1986.

Na Prática, o multimodalismo, pelo menos na forma como é definido pela Lei 9.611/98 não é realizado no Brasil, por diversas questões, sendo uma das principais a de ordem tributária que gira em torno do ICMS entre estados. Um dos grandes entraves é se o imposto será pago na origem ou no destino, ou, até mesmo, quando uma carga realizar, no ato contínuo do transporte, partidas de dois estados diferentes.

Quando alargamos a discussão para a logística de transporte no comércio exterior, a coisa fica ainda mais complicada. Além de o Transporte Multimodal estar sujeito as normas aduaneiras especificas, o conhecimento de transporte elaborado para atender ao multimodalismo foi pensado como documento fiscal, nos moldes de um conhecimento de transporte rodoviário de cargas (CTRC), ou de um conhecimento de transporte aquaviário de cargas (CTAC), por exemplo. Isso, por si só, impossibilitaria a sua utilização no transporte internacional, vez que os países estrangeiros não reconheceriam tal documento, da forma como reconhecem um Bill of Lading, ou um Air Way Bill, por exemplo.

Embora a lei 9.611/98 seja uma norma bem abrangente, que trate de muitas questões importantes inerentes ao transporte de cargas, uma excelente norma delineadora de deveres e obrigações de contratantes e contratados, ao mesmo tempo, o legislador, pelo simples fato de condicionar o multimodalismo a emissão de um CTCM, criou um mecanismo legal que, em tese, serve somente para atender ao mercado interno e, mesmo assim, com muitos entraves a serem vencidos, que vão desde a legislação até questões de infraestrutura.

O multimodalismo, nos moldes da Lei 9.611/98, sem sombra de dúvidas, daria aos embarcadores, consignatários e destinatários muito mais segurança em suas operações de transporte, a começar pelo fato de que teriam uma operação sob responsabilidade e controle único de um OTM – Operador de Transporte Multimodal, pessoa jurídica devidamente habilitada para tal. Além disso, seria uma operação regida por um único conhecimento de transporte, desde o momento em que a carga e coletada na origem até o seu destino final, coberta por apenas uma apólice de seguro compreensiva.

Da mesma forma, também abrangidos pela norma, estão os demais serviços auxiliares ao transporte de cargas, tais como: coleta, unitização, desunitização, movimentação, armazenagem e entrega de carga ao destinatário, bem como a realização dos serviços correlatos que forem contratados entre a origem e o destino, inclusive os de consolidação e desconsolidação documental de carga.

Por mais que este operador nomeie terceiros para fazer a ligação entre os diferentes modais, aos contratantes dos serviços, fica o conforto de cobrar apenas do OTM todas as obrigações inerentes ao transporte, seja no que diz respeito à incolumidade da mercadoria, seja no prazo das entregas. Ao OTM não cabe o direito de transmitir aos seus contratantes os problemas causados por terceiros nas suas operações. Isso porque, o OTM é responsável pelas ações ou omissões de seus empregados, agentes, prepostos ou terceiros contratados ou subcontratados para a execução dos serviços de transporte multimodal, como se essas ações ou omissões fossem próprias. Obviamente que, ao OTM, caberia o direito de ação regressiva contra os terceiros contratados ou subcontratados, para se ressarcir do valor da indenização que houver pago.

Vejamos alguns aspectos da Lei 9.611/98 sobre as responsabilidades e as excludentes de responsabilidades do OTM:
Com a emissão do Conhecimento, o OTM assume perante o contratante a responsabilidade pela execução dos serviços de Transporte Multimodal, por conta própria ou de terceiros, do local em que as receber até a sua entrega no destino, pelos prejuízos resultantes de perda, danos ou avaria às cargas sob sua custódia, assim como pelos decorrentes de atraso em sua entrega, quando houver prazo acordado, ou seja, uma responsabilidade que abrange o período compreendido entre o instante do recebimento da carga e a ocasião da sua entrega ao destinatário.

Contudo, é importante frisar, que a responsabilidade do OTM por prejuízos resultantes de perdas ou danos causados às mercadorias é limitada ao valor declarado pelos contratantes do serviço e consignado no Conhecimento de Transporte Multimodal, acrescido dos valores do frete e do seguro correspondentes. No que concerne aos prejuízos resultantes de atraso na entrega ou de qualquer perda ou dano indireto, distinto da perda ou dano das mercadorias, é limitada a um valor que não excederá o equivalente ao frete que se deva pagar pelo transporte multimodal.

Outro aspecto relevante, é que quando a perda ou dano à carga for produzida em fase determinada o Transporte Multimodal para a qual exista lei imperativa ou convenção internacional aplicável que fixe limite de responsabilidade específico, a responsabilidade do Operador de Transporte Multimodal por perdas ou danos será determinada de acordo com o que dispuser a referida lei ou convenção.

Vale destacar ainda que, quando a perda, dano ou atraso na entrega da mercadoria ocorrer em um segmento de transporte claramente identificado, o operador do referido segmento será solidariamente responsável com o Operador de Transporte Multimodal, sem prejuízo do direito de regresso deste último pelo valor que haja pago em razão da responsabilidade solidária.

Com excludentes de responsabilidades do OTM, temos os mesmos aspectos que norteiam o transporte de uma maneira geral e que são amplamente conhecidos. Assim, o OTM não responderá por atos ou fatos imputáveis aos contratantes do transporte, inadequação de embalagem ou vicio próprio, manuseio, embarque, estiva ou descarga executados diretamente pelo expedidor, destinatário ou consignatário da carga, ou, ainda, pelos seus agentes ou prepostos e força maior ou caso fortuito.

Diversas empresas têm habilitação para operar como OTM, contudo, na prática, a designação de OTM está mais para o campo da propaganda do que para o campo prático.

Esses e outros aspectos nos levam a crer que se o Brasil adotasse de fato o Transporte Multimodal, desburocratizando a sistemática de transporte, ampliando a sua infraestrutura, o transporte poderia agregar mais valor aos produtos, seja para o mercado interno, seja para o mercado externo. O problema é que nos temos uma incrível capacidade de criar normas e de impor atos fiscalizatórios prejudiciais ao comércio como um todo. O transporte, embora tenha a importante função de fazer o produto chegar até seu consumidor, é apenas uma das etapas afetadas no comércio.

Fonte: Comexblog