A partir de 2007, o Complexo Industrial e Portuário de Suape, em Pernambuco, recebeu uma onda de grandes empresas: o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), a Refinaria Abreu e Lima (Petrobras) e a Petroquímica Suape.
O emprego com carteira assinada foi multiplicado por cinco entre 2006 e 2010 devido a essa transformação (7.696 novas vagas), e os governos locais viveram o desafio de beneficiar a população local, dedicada até então ao subemprego no turismo em torno de Porto de Galinhas e à agricultura.
Segundo Simone, em 2000, Suape tinha mais de 70 empresas, sendo que 30 estavam no território de Ipojuca e as demais em Cabo de Santo Agostinho. Dos dez mil postos de trabalho oferecidos, apenas 500 eram ocupados por ipojucanos.
Na época, cerca de 70% do povo da cidade vivia abaixo da linha de pobreza, o desemprego era elevado e o ipojucano tinha, em média, menos de quatro anos de estudo. “Era uma pessoa que estava despreparada para ocupar os postos de trabalho de Suape. Já no turismo a base dos postos de trabalho é menos exigente em termos de qualificação”, esclarece Simone.
Como era essencial a qualificação desta mão de obra, a prefeitura, a União, o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e as empresas passaram a realizar cursos.
No primeiro momento, as oportunidades oferecidas eram para instalação das empresas. Com foco voltado para a construção civil, a Agência de Trabalho local cadastrou mais de 3.800 pessoas e aplicou uma prova de nível básico.
De acordo com a necessidade das empresas, essas pessoas eram chamadas para passar por um reforço escolar, com aulas de matemática e português.
Os trabalhadores que passavam por mais uma triagem iam para o Senai. “Em menos de um ano e meio nós tínhamos triplicado, somente em uma empresa, o Estaleiro Atlântico Sul, o número de ipojucanos trabalhando dentro de Suape”, diz.

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